Coordenação e gestão do destino Açores
ENQUADRAMENTO
A governação e gestão do destino referem-se à implementação de políticas eficazes e à articulação entre entidades públicas, privadas e comunidades locais, com vista a assegurar um desenvolvimento turístico sustentável. Este indicador avalia a qualidade da liderança, a coordenação entre stakeholders e a capacidade de definir e executar estratégias alinhadas com os princípios da sustentabilidade.
Uma boa governança é essencial para equilibrar interesses económicos, sociais e ambientais, promovendo práticas responsáveis e uma gestão integrada do turismo. A sua monitorização permite reforçar a transparência, a participação e a eficiência na tomada de decisão, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável e resiliente do destino.
Planeamento estratégico do turismo nos Açores
A Região Autónoma dos Açores tem vindo a afirmar uma abordagem estruturada e integrada à governação do turismo, baseada na definição de instrumentos estratégicos que orientam o desenvolvimento sustentável do destino. Estes planos refletem um compromisso claro com a articulação entre entidades públicas, privadas e a comunidade, promovendo uma gestão coordenada, participativa e alinhada com os princípios da sustentabilidade.
PEMTA 2030 – Estratégia para um Turismo Sustentável e Competitivo
O Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores (PEMTA 2030) estabelece as principais diretrizes para o desenvolvimento e posicionamento do destino até 2030, alinhando a estratégia regional com as tendências globais e com os desafios atuais do setor. Este plano reforça o turismo de natureza — terra e mar — como eixo central da oferta, complementado pela valorização da cultura, gastronomia, vinhos e bem-estar.
A sustentabilidade ambiental assume um papel central no PEMTA 2030, que procura consolidar o reconhecimento dos Açores como destino sustentável, estabelecendo metas mais ambiciosas, como a obtenção da certificação “Gold”. O plano enfatiza ainda a necessidade de equilibrar o crescimento turístico com a preservação dos recursos naturais e culturais, garantindo a proteção dos ecossistemas e a autenticidade do destino.
Paralelamente, o PEMTA 2030 aposta na segmentação de mercados, na digitalização e na inovação da oferta, promovendo uma comunicação mais eficaz e uma presença internacional mais competitiva. A estratégia integra também uma forte componente de governação, incentivando a articulação entre entidades e o alinhamento dos agentes do setor com os objetivos definidos, assegurando que o turismo gera valor económico, social e ambiental para toda a Região.
Certificação do Destino Açores
Açores DMO – Sustentabilidade e Governação Colaborativa
Sob a coordenação do Governo dos Açores, através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, a Açores DMO assume um papel central na dinamização das políticas de turismo sustentável, promovendo a articulação entre entidades públicas, privadas e a sociedade civil. A sua atuação assenta numa abordagem colaborativa, orientada para a implementação de iniciativas que reforcem a sustentabilidade do destino.
Neste contexto, os Açores destacam-se como o primeiro arquipélago do mundo certificado como destino turístico sustentável pela entidade internacional EarthCheck, de acordo com os critérios do Conselho Global de Turismo Sustentável. Este reconhecimento evidencia o compromisso contínuo da Região com práticas responsáveis e com a melhoria do seu desempenho ambiental, social e económico.
O Plano de Ação para a Sustentabilidade do Destino (2019–2030) constitui um instrumento estratégico fundamental, estruturando ações nas dimensões ambiental, económica, social e cultural. A sua implementação é acompanhada pelas Green Teams, que integram representantes de diferentes setores e asseguram uma monitorização participada e contínua. Iniciativas complementares, como a Cartilha da Sustentabilidade e a plataforma ODSlocal, reforçam a capacitação e o envolvimento dos agentes locais na adoção de boas práticas.
O processo de certificação, baseado em critérios rigorosos e verificado através de auditorias externas anuais, garante a avaliação contínua dos compromissos assumidos. Mais do que um reconhecimento, esta certificação representa um percurso de melhoria contínua, consolidando a posição dos Açores como um destino de referência em sustentabilidade.
Sistemas de Monitorização do Turismo
Os Açores têm vindo a reforçar a sua capacidade de gestão do destino através da implementação de sistemas inteligentes de monitorização turística. Destaca-se o SIMIFTA – Sistema Integrado de Monitorização Inteligente de Fluxos Turísticos, que representa um marco na modernização da gestão turística regional, ao disponibilizar informação fiável e em tempo real sobre o comportamento dos visitantes.
Este sistema permite analisar, prever e gerir os fluxos turísticos com maior rigor, apoiando a tomada de decisão informada e contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável, equilibrado e eficiente do destino. A sua abordagem baseada em dados integra tecnologia e colaboração entre entidades públicas e privadas, assumindo um papel estruturante na concretização dos objetivos definidos no PEMTA 2030.
Através do portal Azores Monitor, são disponibilizados dados relativos a 27 indicadores, organizados em áreas como perfil do visitante, mobilidade, economia, contexto territorial e presença digital. Esta plataforma permite uma leitura detalhada dos padrões de visitação nas nove ilhas, reforçando a capacidade de monitorização contínua e a gestão estratégica do turismo na Região.
ods relevantes

Meta 11.3
Até 2030, aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e as capacidades para um ordenamento do povoamento humano participativo, integrado e sustentável, em todos os países.
Meta 16.6
Desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes, a todos os níveis.
Meta 16.7
Garantir que a tomada de decisão, a todos os níveis, é responsável, inclusiva, participativa e representativa.

Meta 17.17
Incentivar e promover parcerias públicas, público-privadas e com a sociedade civil que sejam eficazes, a partir da experiência das estratégias de mobilização de recursos dessas parcerias.


